12/2011
Arquiteturas abandonadas do município de Barretos
Fotografias são ruínas. Elas carregam os restos de um fato luminoso que se processou à sua frente. Não se trata do fato em si, mas somente seus rastros, como o decalque de um instante que se dissolveu. A fotografia está condenada a falar sempre do passado, do que se acabou e não pode mais ser modificado, do que está morto, é um animal em um vidro de formol.
Por outro lado, as ruínas arquitetônicas apresentam um aspecto interessante, pois se tornam um espaço intermediário entre sociedade e natureza, sem que sejam integralmente nenhuma dos dois. A vegetação invade os cômodos, os animais passam a frequentar suas fissuras, mas a estrutura do prédio está lá, apontando para seu passado entre os homens. A construção abandonada possui seus fantasmas rangendo as tábuas dos corredores da memória. É um não lugar, um eco repetindo vozes que se calaram. A ruína é uma fotografia.
Nesse trabalho pude voltar a uma cidade onde passei 5 anos da minha adolescência e visitar construções que estão sendo consumidas pelo tempo, mas que um dia pude ver em funcionamento. É o registro fotográfico de uma experiência que se assemelha a folhar um álbum de fotografias amareladas.
locais:
- Charqueada Bandeirante – antigo frigorífico abandonado.
- Recinto Paulo de Lima Correa – clube hípico municipal onde era realizada a Festa do Peão de Boiadeiro de Barretos.
- Antigo posto de serviço na rodovia Brigadeiro Faria Lima.
- Estação de trem na via. Nadir Kenan. – localiza numa estrada municipal que liga Barretos uma pequena vila próxima a cidade.